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A Páscoa está chegando, um momento de encontro, celebração e troca de chocolates. Mas, para além da tradição, cada brasileiro consome, em média, 3,9 kg de chocolate por ano, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab). O consumo aumenta a cada ano, mesmo com a alta de preços, e surge a questão: Será possível saborear essa delícia sem prejudicar a saúde? O professor Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), afirma que sim, desde que o foco esteja no ingrediente principal: o cacau.
O fruto do cacaueiro, cultivado em regiões tropicais e bastante presente na agricultura brasileira, é rico em compostos bioativos que despertam cada vez mais interesse da ciência. “O cacau é um alimento nutricionalmente interessante porque concentra polifenóis e flavonoides que ajudam na proteção vascular e no combate ao estresse oxidativo, conforme demonstram vários estudos. O que precisamos observar é a diferença no teor de cacau, pois alguns chocolates apresentam mais açúcar, gorduras e pouca dosagem real de cacau”, explica o médico, reconhecido na área de obesidade com o título Fellow da The Obesity Society (USA).
Nem todo chocolate oferece os mesmos benefícios porque muitos produtos rotulados como “chocolate” têm alto teor de açúcar, gordura e outros ingredientes. Para que isso fique claro para o consumidor, tramita no Legislativo um projeto de lei que regulamenta a quantidade mínima de cacau e seus compostos em produtos como chocolate ao leite, meio amargo e cacau em pó. O projeto cria uma nova categoria, denominada chocolate doce, e ainda determina que a informação sobre o percentual de cacau deverá constar na embalagem frontal do produto, em tamanho não inferior a 15% da área e em caracteres legíveis para fácil visualização.
Sabor na medida e hora certa
Mesmo sendo nutritivo, o chocolate continua sendo um alimento calórico. Para quem gosta de consumir diariamente, Dr. Durval recomenda de 20 a 30 gramas de chocolate amargo por dia, aproximadamente dois ou três quadradinhos são suficientes para aproveitar o sabor sem exagerar nas calorias. E alerta para o horário de consumo. Por conter teobromina e pequenas quantidades de cafeína – substâncias com efeito estimulante leve, pessoas mais sensíveis devem evitar a ingestão próxima ao horário de dormir para não atrapalhar o sono.
“Pensando em saúde, bem-estar e prazer em uma alimentação equilibrada, a melhor estratégia não é proibir o chocolate, e sim fazer a escolha certa. Quanto maior o teor de cacau, melhor”, ensina o médico nutrólogo.
Na rotina diária, o cacau em pó também pode ser incluído em preparações simples e práticas, como:
• misturar cacau em pó 100% no iogurte natural
• adicionar em vitaminas ou smoothies
• preparar mingau de aveia com cacau
• polvilhar nibs de cacau sobre frutas
• consumir pequenos pedaços de chocolate amargo após as refeições
Quando ter cautela
Embora seja seguro para a maioria das pessoas, a ingestão de chocolate pode exigir atenção em algumas situações. Quem sofre com refluxo gastroesofágico, gastrite sensível ou enxaqueca pode perceber piora dos sintomas após o consumo. Dr. Durval Ribas Filho orienta diabéticos, intolerantes à lactose, celíacos e veganos a observar atentamente os ingredientes. Segundo o médico, versões diet (sem açúcar) nem sempre são menos calóricas, pois podem conter mais gordura, e os produtos light apenas indicam redução de algum ingrediente.
Fuja do consumo emocional
Quando o chocolate é consumido para aliviar emoções como ansiedade, tristeza ou estresse – mesmo sem fome, pode indicar compulsão alimentar, um transtorno relacionado à saúde mental. Fique atento aos sinais de dependência e procure um profissional de saúde. Se ganhar muito chocolate nesta Páscoa, o ideal é congelar. Segundo o médico, o armazenamento em geladeira pode alterar a textura do chocolate, mas é possível congelar. Corte o ovo em pedaços, embrulhe em papel-alumínio e guarde em pote hermético. Depois, descongele somente o que for consumir.
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