Campanha incentiva o uso mais consciente dos smartphones. Imagem: Freepik
Nos últimos anos, o celular avançou em recursos tecnológicos e facilitou a vida dos usuários, possibilitando a realização de inúmeras tarefas: pagar contas, fazer compras, assistir séries, jogar, chamar o carro por aplicativo e se informar. Toda essa facilidade gerou uma dependência. Segundo a Global Solidarity Foundation, as pessoas costumam passar mais de duas horas por dia no celular, e checar seus dispositivos, em média, 221 vezes por dia. Surge então o movimento “Fevereiro Sem Celular” , um desafio proposto pela organização para estimular o uso mais consciente do aparelho e a redução do tempo gasto na tela durante o mês.
“A campanha neste mês é importante para chamar a atenção das pessoas, mas é preciso entender que a tecnologia não é vilã. A utilização equilibrada, de autoconhecimento e de uso consciente são os verdadeiros fatores de proteção da saúde mental”, explica a psiquiatra Ana Paula Matsumota.
A médica aponta que o uso do celular de forma descontrolada pode acarretar ansiedade, insônia, estresse, irritabilidade, dependência comportamental, dificuldade de concentração, queda de produtividade e sintomas depressivos. E quem já possui algum transtorno psiquiátrico como TDAH, transtornos do sono, transtornos alimentares e transtornos de imagem, pode ter o quadro agravado.
Como se autoavaliar?
Dra. Ana Paula explica que o uso racional do aparelho é quando a pessoa não tem problemas de sono, no trabalho, estudos, relações sociais ou no autocuidado, e consegue ficar sem ele sem sofrimento. “Ter ou não celular não define saúde mental. O que importa é o equilíbrio, a qualidade das relações e a forma como a tecnologia é usada”, justifica a psiquiatra.
Ao identificar a relação nociva com o aparelho, cabe à pessoa estabelecer uma disciplina de acordo com as suas condições, reduzindo o uso do celular por algumas horas, estabelecendo horários para as redes sociais ou se desconectando por alguns dias.
Foi o caso da especialista em neurocomunicação Thiara Palmieri, que decidiu viver uma experiência pessoal de desconexão durante 12 dias. Segundo ela, o que começou como uma pausa nas férias se transformou em um processo profundo de autopercepção, e a ausência do aparelho revelou o quanto a disponibilidade permanente não é sinônimo de presença real. “Percebi que não precisava estar online o tempo todo para estar verdadeiramente conectada à vida”, afirma.
Thiara conta que os primeiros dias foram marcados por inquietação, impulsos automáticos e a sensação de estar perdendo algo. Com o tempo, o silêncio digital deu lugar a uma sensação de descanso mental, maior clareza e reorganização das prioridades. A atenção se expandiu, e o ritmo do corpo encontrou um compasso mais natural. “A pausa digital me mostrou que presença não está ligada à velocidade, mas à profundidade. Estar fora das redes, às vezes, é a única forma de voltar diferente”, reflete. A experiência também impactou as relações. Encontros presenciais, conversas mais profundas e ligações feitas de forma intencional passaram a ser mais valorizados.
Thiara Palmieri compartilha 7 dicas que ajudaram no processo de desconexão
1 – Observar o tempo de tela e os gatilhos do uso
2 – Criar espaços livres de celular ao longo do dia
3 – Reduzir notificações
4 – Estabelecer horários específicos para mensagens
5 – Experimentar um dia da semana com menos tela
6 – Priorizar ligações em vez de mensagens
7 – Praticar o automonitoramento antes de desbloquear o aparelho
O detox digital, em qualquer período do ano, pode melhorar a saúde mental e física, já que o uso excessivo do celular também provoca dores no corpo, devido à má postura e aos movimentos repetitivos.
NOTA: O Entrelinhas pratica jornalismo independente, com conteúdo aberto e foco em explicar temas sociais, culturais e científicos com clareza. Compartilhe, acompanhe e apoie o projeto.
Transparência: conteúdos patrocinados serão sempre identificados.